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The article should be freely available online through an Open Access link via JSTOR, thanks to a subvention from the Netherlands Organisation for Scientific Research (NWO). Unfortunately, JSTOR is having problems with their Open Access links. Therefore we made sure the article can be freely accessed via this link:

http://www.etnolinguistica.org/artigo:ribeiro-voort-2010

Dysfunctional link by Hein van der VoortHein van der Voort, 15 Feb 2011 22:33

Em sua tese de doutorado, Silva investiga os grafismos utilizados pelos Kaingang, no passado e no presente, para representar distinções características de sua visão dual do mundo. Essa visão dual se reflete, entre outros domínios, em sua organização social, marcada pela divisão em metades patrilineares e exogâmicas denominadas Kamé e Kairu-kré. A primeira é representada por linhas retas ou curvas, ao passo que a segunda é marcada por pontos, círculos e suas variações. Esses grafismos aparecem em diversas situações, como na pintura corporal e no trançado das cestarias. Silva compara tais grafismos às decorações da cerâmica arqueológica de tradição Taquara/Itararé, sugerindo a continuidade dos sistemas de representação Jê do Sul desde o período pré-colonial.

by jgregoriojgregorio, 26 Oct 2010 11:59

Em sua dissertação, Lavina compila fontes etno-históricas relativas a subsistência, organização social, rituais e cultura material Xokleng, de modo a fornecer um modelo a ser testado no registro arqueológico. A existência de sítios arqueológicos em Santa Catarina na região da mata atlântica e da mata de araucária, o registro de pontas de projétil líticas com datas muito recentes, a presença, no planalto, de "terreiros de aldeias" fortificadas semelhantes às construídas pelos Xokleng no inverno são alguns dos indícios que levam o autor a sugerir a continuidade no modo de vida desse grupo desde o período pré-colonial.

by jgregoriojgregorio, 15 Oct 2010 12:38

A tese de Brochado é o primeiro trabalho de síntese continental que buscou correlacionar seqüências arqueológicas e dados lingüísticos para as terras baixas sul-americanas. O autor condensou as várias culturas arqueológicas do continente em duas grandes tradições definidas pela cerâmica, chamadas por ele de "Tradição Polícroma Amazônica" e "Tradição Pedra do Caboclo". Ambas teriam origem remota na Amazônia. A cerâmica Pedra do Caboclo teria primeiro se expandido para a foz do Amazonas e daí para o Nordeste, a partir de onde teria sido adotada aos poucos, por difusão, por vários grupos já estabelecidos - entre os quais se contariam grupos Macro-Jê. Uma nova manifestação dessa grande tradição seria a tradição Aratu-Sapucaí, relacionada especificamente à família lingüística Jê. A recente expansão dessa cerâmica por uma ampla área do Brasil central estaria relacionada à dispersão daqueles grupos, e associada a aldeias arqueológicas circulares e ao cultivo. A Tradição Polícroma, por sua vez, estaria associada ao tronco Tupi. A partir da Amazônia, um ramo desse tronco, os falantes de línguas Tupi-Guarani, teriam se dividido e seguido em duas direções diferentes: uns para a foz do Amazonas e daí descendo o litoral (grupos Tupi, cerâmica de tradição "Tupinambá"), e outros descendo a bacia do Prata e subindo o litoral (grupos Guarani, cerâmica de tradição "Guarani").

by jgregoriojgregorio, 15 Oct 2010 12:25

O artigo de Araujo apresenta duas discussões: a primeira delas relacionada à definição da tradição arqueológica "Itararé-Taquara", atualmente aceita como antecedente dos grupos Jê meridionais históricos, e a segunda a respeito da expansão desses grupos. Uma definição da tradição Itararé-Taquara é oferecida incluindo traços comuns que ocorrem associados no sul do Brasil: uma cerâmica fina e de formas simples, casas subterrâneas e aterros e montículos funerários. O autor conclui que a cerâmica Itararé-Taquara é uma derivação da Una, encontrada no Brasil central, de onde os Jê teriam migrado para o sul. Araujo propõe uma rota de migração que passaria pelo leste paulista, estando o oeste ocupado por outros grupos. É no leste paulista que poderiam ser encontradas as datas mais antigas para a tradição Itararé-Taquara, o que não se comprova ainda dada a carência de pesquisas na região. Uma última hipótese apresentada pelo autor diz respeito à expansão Kaingang para o oeste paulista, que teria ocorrido em data relativamente recente, após o "vazio" criado na região pelos apresamentos dos Kayapó do Sul feitos pelos bandeirantes a partir do século XVII.

by jgregoriojgregorio, 15 Oct 2010 12:22

O vocabulário de Eduardo Sócrates representa o dialeto Karajá do Sul. A principal contribuição do artigo é, provavelmente, o fato de que registra um empréstimo da Língua Geral (Paulista? Amazônica?) para 'dinheiro', [ĩɗadʒu'wa] ~ [ĩɗadʒu'a], transcrito como Intadiná. Documentado apenas nesta fonte, o empréstimo eventualmente cairia em desuso, sendo substituído pelo empréstimo do português nieru. [Para maiores detalhes, clique aqui.]



Eduardo R. Ribeiro
Macro-Jê linguistics, &c.

Bibliografia anotada abrangendo os primeiros cem anos de produção publicada sobre os Kaingáng, desde a Memoria sobre o descobrimento e colonia de Guarapuava, do Pe. Francisco das Chagas Lima (1842), até o Ensayo de una gramática del idioma Caingangue de los Caingangues de la 'Serra de Apucarana', de Wanda Hanke (1950). Uma das principais contribuições do artigo é a identificação do Padre Chagas Lima como sendo o autor do Vocabulario da lingua Bugre, publicado anonimamente em 1852.



Eduardo R. Ribeiro
Macro-Jê linguistics, &c.

Este artigo (bem como todos os artigos de interesse lingüístico nesta edição da Revista do Museu Paulista) foi resenhado por John Rowland Rowe (IJAL 16.3.150-151, 1950; disponível aqui). Reconhecendo que Nimuendaju "combined a fine critical faculty with an acquaintance with Indians and ethnological literature that none of his contemporaries could match and the reader of these letters will acquire a great respect for Nimuendajú as a linguist", Rowe conclui que, "[W]ith all due respect to Guérios, who displayed great courage and intellectual honesty in publishing this correspondence, the reviewer is inclined to agree with Nimuendajú about most of the matters under discussion." Ao final da resenha, Rowe oferece pistas quanto à localização de vocabulários cujo paradeiro Nimuendaju desconhecia:

The file of correspondence closes with a letter from A. D. Rodrigues to Nimuendajú and the latter's reply written only three days before his death. Rodrigues inquires what became of the rest of the group of Nimuendajú's vocabularies which Métraux started to publish in the last number of the Revista del Instituto de Etnología of Tucumán in 1932 and Nimuendajú replies that unfortunately he does not know. It happens that I can answer this question: the missing vocabularies are in my office waiting for some attention. Métraux gave them to R. H. Lowie who entrusted them to me last year. There are 20 in all, 8 of Eastern Tucano languages, 3 of Macú, 3 of Carib languages (Macushí, Wapishana, Maquiritare) 2 of Tupí languages (Tupí of the Machado and Itogapuk) and one each of Shiriana, Puinave, Ipuriná and Capishaná.



Eduardo R. Ribeiro
Macro-Jê linguistics, &c.

O artigo de Ihering (1907) é a tradução de um opúsculo publicado em inglês por ocasião da Exposição Universal de Saint Louis (EUA), em 1904 (Ihering 1904). Enquanto a versão original em inglês não inclui material lingüístico, a tradução brasileira inclui os vocabulários Oti ("Eochavante") de Telêmaco Borba e Ewerton Quadros, além de alguns itens lexicais Kaingáng e "Notobotocudo" (Xetá).

Sugerindo que "a língua dos Eochavantes parece ser um tanto alliada á dos Gês", Ihering dá início à idéia (sem fundamento) de que o Oti seria geneticamente relacionado às línguas Jê (idéia adotada mais tarde por Greenberg). Também digna de nota é a opinião de Ihering (que, como respeitado naturalista e diretor do Museu Paulista, era um dos principais nomes da ciência no Brasil de então) sobre o destino que se devia dar aos índios de São Paulo (p. 215):

"Os actuaes indios do Estado de São Paulo não representam um elemento de trabalho e de progresso. Como tambem nos outros Estados do Brazil, não se póde esperar trabalho sério e continuado dos indios civilizados e como os Caingangs selvagens são um impecilio para a colonização das regiões do sertão que habitam, parece que nao ha outro meio, de que se possa lançar mão, senão o seu exterminio."

Embora este artigo seja essencialmente uma versão em português do trabalho divulgado em St. Louis, este parágrafo e o que o segue não ocorrem na versão original em inglês (um fato que parece ter passado despercebido mesmo entre autores que se dedicaram detidamente a este texto). É interessante indagar o que teria levado ao acréscimo deste trecho, que tanta polêmica geraria, à versão brasileira (ou sua supressão na versão em inglês). É possível que Ihering considerasse tais afirmações como potencialmente "chocantes" para um público "mais civilizado"; parece-me mais provável, no entanto, que o trecho tenha sido acrescentado como propaganda para consumo interno, dado o clima político-acadêmico da época (para o qual, vide Penny 2003).



Eduardo R. Ribeiro
Macro-Jê linguistics, &c.

Além de fornecer informações históricas e etnográficas diversas, o texto analisa quatro mitos Fulniô, três dos quais — 'Como os Fulniô conseguiram o fogo', 'A criação do homem, após o dilúvio' e 'A santa dos caboclos' — são apresentados no original em Yatê, acompanhado de tradução literal (feita com a colaboração do lingüista Geraldo Lapenda) e seguido por tradução livre.



Eduardo R. Ribeiro
Macro-Jê linguistics, &c.

Em meados de 1945, o jornalista, escritor e esperantista Tibor Sekelj (1912-1988) percorreu o Rio Araguaia, desde Aragarças à ponta norte da Ilha do Bananal, visitando aldeias Karajá e Javaé. Além de servir de inspiração para o livro infantil Kumeŭaŭa, la filo de la ĝangalo ('Kumewawa, o filho da floresta', publicado originalmente em esperanto), a viagem resultou no artigo Excursión a los Indios del Araguaia (1948). Trata-se de uma fonte muito pouco conhecida sobre os Karajá/Javaé, não tendo sido mencionada em nenhum dos trabalhos publicados sobre a língua e a cultura deste povo.1

O artigo inclui, além de informações etnográficas e fotos do cotidiano Karajá, um vocabulário Karajá-espanhol, fornecido por indivíduos da aldeia Karajá do Sul de Aruanã (então Leopoldina), Goiás. A transcrição do vocabulário é razoavelmente confiável (principalmente quando comparada com a de vocabulários anteriores, e mesmo com obras de alguns contemporâneos, como Frei Luiz Palha). O vocabulário de Sekelj é particularmente útil para corroborar outras fontes da mesma época. Um exemplo é o empréstimo maritó 'paletó', que eventualmente viria a cair em desuso; documentado por Sekelj e Brito Machado, é um item útil para ilustrar adaptações fonológicas de empréstimos em uma época em que os Karajá tinham menor familiaridade com o português.



Eduardo R. Ribeiro
Macro-Jê linguistics, &c.

Quando Boudin coletou os dados, os Kren-yê já se reduziam a umas duas ou três famílias, vivendo com os Tembé e Kaapor.



Eduardo R. Ribeiro
Macro-Jê linguistics, &c.

Krẽjê by kawinakawina, 05 Jul 2009 15:30

Em Footprints of the Forest (1999, p. 45-46), Bill Balée apresenta um relato do decréscimo populacional dos Krẽjê, explicando que

"in 1981 there was only one surviving Kren-Yê who still knew the indigenous language — she died in 1983. She had two younger male kinsmen, now married to Brazilian women but who consider themselves Kren-Yê and who live within the jurisdiction of Post Canindé. Neither speaks Kren-Yê and both know more Ka'apor and Tembé language and lore than the Kren-yê equivalents. In a way, demographic and cultural decline for the Kren-Yê between 1915 and 1990 was virtually complete."

O fato de que seus descendentes ainda se identifiquem como Krẽjê talvez explique informações conflitantes quanto à sobrevivência da língua (que o Ethnologue lista como "nearly extinct"), mas certamente não há falantes.



Eduardo R. Ribeiro
Macro-Jê linguistics, &c.

Desde o início do projeto, a Bibliografia Macro-Jê Online vem listando links para itens disponíveis gratuitamente online, através de iniciativas como a Biblioteca Digital Curt Nimuendaju (exemplo), o Banco de Teses de Etnolinguistica.Org (exemplo), bibliotecas digitais universitárias (exemplo), ou periódicos de acesso aberto, como os do projeto Scielo (exemplo). Hoje começamos a incluir também links para artigos de periódicos disponíveis através da JSTOR (exemplo). Isto deve ser particularmente útil para usuários afiliados a instituições com acesso à JSTOR (por exemplo, através do Portal de Periódicos da CAPES).



Eduardo R. Ribeiro
Macro-Jê linguistics, &c.

O livro Bibliografia das línguas Macro-Jê (D'Angelis, Cunha & Rodrigues 2002) está agora disponível online, em PDF pesquisável ("searchable"). Isto permite que este trabalho original sirva de base para a ampliação que pretendemos fazer através deste website. Além de poder ser baixado, o arquivo pode ser lido online.



Eduardo R. Ribeiro
Macro-Jê linguistics, &c.

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